domingo, 21 de junho de 2015

Redenção: um conceito não religioso

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Cristãos falam muito em redenção porque Jesus chamou para si a prerrogativa de salvar. Considerando que o Nazareno não transitava entre as eminências eclesiásticas, redenção pode ser considerado a partir de conceitos não-religiosos.

Quem abre mão do nome, da reputação, da própria vida porque abraçou uma causa, está salvo do oportunismo, da demagogia e da desfiguração do eu. Quem esquece a promessa do poderoso, o estímulo do rico e o incentivo do influente para doar-se à causa do pobre está salvo de tornar-se oportunista.  Quem despreza o sucesso por amar o que faz, está salvo de deixar que a personagem tome o lugar da identidade pessoal. Quem não se importa com a conquista, mas valoriza a integridade está salvo do maquiavelismo de confundir meios e fins. Quem não cobiça o brilho está salvo de tornar-se um demônio.


Quem são os salvos? Os santos que amam a discrição; os gênios que evitam o espetáculo; os heróis que escolhem o anonimato; os profetas que militam na contramão; os revolucionários que desprezam a glória. Todos esses se salvam e escapam de perder a alma.

O salvo ensurdece para a sanção social e desdenha do aplauso oportunista; perde sem internalizar as maldições alheias; sonha sem almejar aclamação; brilha sem estupidificar-se e sofre sem degradar-se.
A vida renasce para quem não aceita que o dominante mereça o topo da hierarquia. O santo não vive dos favores do arrogante; não rasteja diante de quem tem o poder de intimidar. O salvo tem olhar altivo, sem ser fátuo; seu porte, sobranceiro, não deprecia; sua verdade, resoluta, não é  intolerante; seu diálogo, contundente, é generoso.

Salvação extrapola as molduras da religião; significa constância, distinção, amabilidade, afeição, cortesia, altruísmo, fragilidade, solicitude, confiança, auto aceitação, imparcialidade, comedimento, doçura, coexistência.

O fruto que se observa no salvo revela a profundidade não só da virtude como um valor, como também da largueza de suas relações humanas. Integridade e salvação podem ser diferentes na semântica, porém iguais na convivência. Salvação é primeiro dom de Deus e depois, construção humana.

Ricardo Gondim


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